segunda-feira, 14 de março de 2011

Confissão

"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — 
a da minha nascença e a da minha morte

Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza."

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

Em Construção...

"- Pedras no caminho? Guardo todas. Um dia vou fazer um castelo."
 (Fernando Pessoa)



domingo, 13 de março de 2011

Do Outro Lado da Vida


Passei ao lado da vida
De uma vida que não vivi
Foi amor sem medida
E um dia te perdi

Mas sou alma nova
Calo a dor lá no fundo
Eu aceito a prova
Sou a outra face do mundo

Vou sair por essa avenida
Cantando o outro lado desta vida
Buscar em cada esquina
Um abraço, um olhar
Viver a minha sina
E voltar a sonhar

Abri minh´alma sofrida
Revelei segredos só meus
A ti te dei o meu ser
E na luz dos olhos teus

Não estou a teu lado
Já não há paixão, não
O amor ficou calado
Mas guardo a recordação

Vou sair por essa avenida
Cantando o outro lado desta vida
Buscar em cada esquina
Um abraço, um olhar
Viver a minha sina
E voltar a sonhar

E poder amar

Vou sair por essa avenida
Cantando o outro lado desta vida
Buscar em cada esquina
Um abraço, um olhar
Viver a minha sina
E voltar a sonhar

quinta-feira, 10 de março de 2011

Às Cegas


“O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo sem ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses”. 
(José Saramago)


quarta-feira, 9 de março de 2011

Funeral à Chuva

Acabei de ver o filme "Um Funeral À Chuva", em que um grupo de antigos estudantes universitários reencontra-se na cidade onde haviam estudado, devido à morte de um deles. Na obrigação de satisfazer o último desejo deste, o grupo inicia uma jornada de auto-descoberta sobre a essência da amizade verdadeira. Contudo, há 10 anos que não se viam...

Aconselho a verem o filme... Aproveito para deixar uma carta de Pessoa sobre a AMIZADE:

"Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhámos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo.... Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas? "Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto! - "Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!" A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrima abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo..... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"


 

terça-feira, 8 de março de 2011

AutoPsicoGrafia

Na vida temos dois caminhos: ou somos Pessoa ou somos pessoa.

Agora deixo-vos com um poema, quanto a mim, GENIAL: Autopsicografia


"Nunca sabemos quando somos sinceros. Talvez nunca o sejamos. E mesmo que sejamos sinceros hoje, amanhã podemos sê-lo por coisa contrária."

segunda-feira, 7 de março de 2011

Expiração

"Humano histriónico
Porque procuras o amor?
Porque procuras o martírio?
Não é preciso seres omnisciente como eu
Para saber que cairás no abismo.

És demasiado humano para amares,
Para te transcenderes.
Amas-te a ti mesmo
Como nunca amarás alguém.

Procuras diminuir o teu egocentrismo?
Que vantagens isso te trará?
Tal consigas imortalizar o teus genes,
Mas não precisas de amar verdadeiramente.

Sabes que o amor não é eterno.
Podes amar hoje,
Odiar amanha
E cada vez mais te aperceberás que é inútil
Amar,
Que é inútil sofrer tanto
Na tua vida tão curta.

Mas és humano
Perdes-te na angústia
Da procura de ligações profundas
De quem nucas conhecerás.

Sentir-te-ás no abismo
Sentir-te-ás no vazio,
Mas continuarás sempre
Na procura incessante do amor."


 Ilustrações de Elisabete Da'silva

sábado, 5 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Transparência

"Penso 99 vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho no silêncio - e eis que a verdade se revela".


"Regresso à Inocência"

quarta-feira, 2 de março de 2011

Vencer...

Mãe, apesar de já nao te ter aqui, por vezes sinto que te preocupas comigo, mas não necessitas, pois tudo aquilo que não me podes dar em amor tens-me dado multiplicado em coragem. E sabe que "não é de morrer que tenho medo, é de não vencer".

terça-feira, 1 de março de 2011

Filho do Vento

Hoje, para começar um dos meus meses preferidos, deixo-vos com um vídeo que elaborei sobre uma das minhas grandes paixões: a Equitação.

Quantas vezes não queria eu poder ser livre como tu, Filho do Vento?


sábado, 26 de fevereiro de 2011

De Costas Voltadas à Vida

Vemos, mas não sabemos como mostrar.
Reconhecemos, mas damos a perceber da pior forma.
Choramos, mas seguimos sempre em frente.
É no regresso ao desmerecimento que nos despimos de nós e não queremos que nos sintam assim. Viramos as costas.
Susana Fonseca

Quadro de Elisabete Da'silva

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Perfeição?

"Segue o teu destino
Rega as tuas plantas
Ama as tuas rosas
O resto é a sombra
De árvores alheias

A realidade

Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.

Suave é viver só

Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos Deuses

Vê de longe a vida

Nunca a interrogues
A resposta está além dos deuses.

Mas serenamente

Imita o Olimpo
No teu coração
Os Deuses são deuses
Porque não se pensam."
(Ricardo Reis)

 Ilustração de Elisabete Da'silva

P.S. Volta Pessoa, volta...


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Deixa Chover...

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados

Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,

Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…

Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!
(Florbela Espanca)


Hoje percebi o porquê de gostar tanto de ti, Chuva!