| "Gato que brincas na rua Como se fosse na cama, Invejo a sorte que é tua Porque nem sorte se chama. Bom servo das leis fatais Que regem pedras e gentes, Que tens instintos gerais E sentes só o que sentes. És feliz porque és assim, Todo o nada que és é teu Eu vejo-me e estou sem mim, Conheço-me e não sou eu." Fernado Pessoa |
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
"Gato que brincas na rua"
domingo, 16 de outubro de 2011
Carne e Alma (Não)
Ai se eu pudesse ser a água que banha os teus olhos; o mar onde mergulhes e te molhas de coisa nenhuma; o ar que (simplesmente) transportas; os passos que só anuncias; a voz muda; as mãos vazias; o trajecto e nunca o caminho.
Ai se eu pudesse ser tu e simplesmente não ser, não estar e não fazer… Deixa-me ser identidade nula, leva-me de tudo o que vejo depois do olhar. Deixa-me só e despido: afasta de mim o escudo e fecha-me as pálpebras, pois eu só ambiciono viver e não ver, visto que ver, além de ver, com alma, é sofrer...
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
Folhas Caídas
E sou este pomar de Outono, em que as árvores se libertam de si mesmas, e dão asas ao ser; são folhas caídas, que no pomar da vida sonham ser, de novo, alma!
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Caminhada
"Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade."
domingo, 25 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
Num Impasse...
"Há no tempo uma lacuna impenetrável
Um caos onde se esconde a inutilidade
Breves momentos que não servem para nada
Buracos negros sem futuro e sem história
Onde o cosmos conspira contra a humanidade
Não se define aquilo que não é palpável
É nesse nada que passeia ao lusco-fusco
Esse fantasma que vagueia sem ter rastro
Que os sonhos morrem no vazio do esquecimento
E o ser humano deixa de ser sociável
No esconderijo onde se guardam sentimentos
Cela ou guarita encerrada a sete chaves
Há toda uma noite que respira desamor
Não há minutos, nem segundos, só entraves
Cratera onde a vida faz morada num impasse…"
Um caos onde se esconde a inutilidade
Breves momentos que não servem para nada
Buracos negros sem futuro e sem história
Onde o cosmos conspira contra a humanidade
Não se define aquilo que não é palpável
É nesse nada que passeia ao lusco-fusco
Esse fantasma que vagueia sem ter rastro
Que os sonhos morrem no vazio do esquecimento
E o ser humano deixa de ser sociável
No esconderijo onde se guardam sentimentos
Cela ou guarita encerrada a sete chaves
Há toda uma noite que respira desamor
Não há minutos, nem segundos, só entraves
Cratera onde a vida faz morada num impasse…"
Maria Esteves
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Prazo de Validade
"Sabe por que as vezes a lua tem formato de vírgula? É pra mostrar que nem no infinito, nossa história tem um ponto final!"
domingo, 28 de agosto de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
"Viagem"
"É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar..."
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar..."
Miguel Torga
domingo, 14 de agosto de 2011
Dois Excertos de Odes (I Parte)
- Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
- Noite Rainha nascida destronada,
- Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
- Com as estrelas lentejoulas rápidas
- No teu vestido franjado de Infinito.
- Vem, vagamente,
- Vem, levemente,
- Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
- Ao teu lado, vem
- E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
- Funde num campo teu todos os campos que vejo,
- Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
- Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
- Todas as estradas que a sobem,
- Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
- Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
- E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
- Na distância imprecisa e vagamente perturbadora,
- Na distância subitamente impossível de percorrer.
- Nossa Senhora
- Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
- Dos sonhos que vêm ter conosco ao crepúsculo, à janela,
- Dos propósitos que nos acariciam
- Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
- Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
- E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
- Vem, e embala-nos,
- Vem e afaga-nos.
- Beija-nos silenciosamente na fronte,
- Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
- Senão por uma diferença na alma.
- E um vago soluço partindo melodiosamente
- Do antiquíssimo de nós
- Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
- Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
- Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.
- Vem soleníssima,
- Soleníssima e cheia
- De uma oculta vontade de soluçar,
- Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
- E todos os gestos não saem do nosso corpo
- E só alcançamos onde o nosso braço chega,
- E só vemos até onde chega o nosso olhar.
- Vem, dolorosa,
- Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
- Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
- Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes,
- Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
- Vem, lá do fundo
- Do horizonte lívido,
- Vem e arranca-me
- Do solo de angústia e de inutilidade
- Onde vicejo.
- Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
- Folha a folha lê em mim não sei que sina
- E desfolha-me para teu agrado,
- Para teu agrado silencioso e fresco.
- Uma folha de mim lança para o Norte,
- Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
- Outra folha de mim lança para o Sul,
- Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
- Outra folha minha atira ao Ocidente,
- Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
- Que eu sem conhecer adoro;
- E a outra, as outras, o resto de mim
- Atira ao Oriente,
- Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
- Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
- Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
- Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
- Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
- Que tudo o que nós não somos,
- Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
- Onde Deus talvez exista realme:nte e mandando tudo...
- Vem sobre os mares,
- Sobre os mares maiores,
- Sobre os mares sem horizontes precisos,
- Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
- E acalma-o misteriosamente,
- ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!
- Vem, cuidadosa,
- Vem, maternal,
- Pé ante pé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
- À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
- E que viste nascer Jeová e Júpiter,
- E sorriste porque tudo te é falso é inútil.
- Vem, Noite silenciosa e extática,
- Vem envolver na noite manto branco
- O meu coração...
- Serenamente como uma brisa na tarde leve,
- Tranqüilamente com um gesto materno afagando.
- Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
- E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
- Todos os sons soam de outra maneira
- Quando tu vens.
- Quando tu entras baixam todas as vozes,
- Ninguém te vê entrar.
- Ninguém sabe quando entraste,
- Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
- Que tudo perde as arestas e as cores,
- E que no alto céu ainda claramente azul
- Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem.
- A lua começa a ser real.
- Fernando Pessoa
- Vicent Van Gogh
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Concurso "Conto Connosco"
Decidi concorrer com o meu texto "Baralho da Vida" a este concurdo promovido pelo Santander Totta. Quem me quiser opoiar basta ir ao link seguinte: http://www.conteconnosco.com/trabalho-detalhe.php?id=1091 fazem longin com o facebook e clicam "gosto". Ablitam-se ainda a ganhar prémios semanais!
Obrigado!!!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Baralho da Vida
Hoje tive um sonho, mas não acordado; era a noite que me embalava pelos pergaminhos da subsistência e pelos conceitos dos termos vida, duração, passagem, tempo, existência, momento, situação… E depois pensei que poderia fazer igual situação no reverso tornando uma situação o espectro de um momento, que no comungar da sua existência temporal fariam parte única e simultaneamente o complementar de uma duração, vida!
Tomei pulso ao coração - acordei - estremecido na minha inquietude. Levantei-me e segui rumo ao baú, do qual retirei um baralho de cartas, as cartas da vida. Deixei o corpo tender na cadeira e na secretária espalhei, como o semeador que ateia a semente (seja o solo fértil ou não) os naipes, as figuras, os reis e as damas e o Joker e as cenas e até aquelas cartas que deixamos sempre de parte quando queremos jogar algo mais elaborado. Mas eu falei de um baralho, e isso implica um todo: o trigo e o joio, com tudo que de religioso daqui possa advir! Dei asas ao cérebro e transformei, ou pelo menos tentei, os pequenos rectângulos num castelo de cartas. Que patético que isto é, ou pode parece ser...
Estudei. Reformolei. Imaginei. Idealizei. Projectei. Mas sabem o que foi difícil que tudo isto? Segundo o dicionário de Língua Portuguesa diz que é qualquer coisa como “dar existência a” e tem denominação de Criar.
E no intervalo disto tudo, não sei se criei, mas aprendi que as cartas são mais de quarenta, que os castelos são difíceis de armar, mas ainda mais fáceis de se derrubar e no intermédio disto a construção será sempre a harmonia. E o azeite e água nunca se irão fundir, e os castelos não são só de reis ou de damas, porque eu tirei a carta mais insignificante: pois e o castelo derrubou-se com ainda mais rápido que o ponteiro dos segundos avança no relógio, apesar de eu não ter demorado meramente um segundo a edificar o castelo.
Todavia decidi dar-lhe forma novamente. Posto isto, ergui-me da cadeira e olhei maravilhado, com o mel de uma criança nos meus olhos e sorri em tonalidade de felicidade e contemplação. Estagnei os acordes da minha cabeça, enterrei-me na cama e adormeci na esperança de ser feliz e de o meu castelo, construído com as cartas do baralho da vida, não ser somente um projecto mas antes uma concretização.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
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