segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Crise (de Valores)
Estamos em crise. Sim, é um facto! Todavia as crises económicas vêm, por norma, acompanhadas de crises socias, políticas e sobretudo de crises de valores (para não dizer que esta última é a causadora de todas as outras).
Vejamos. Roubos, fugas fiscais, “falsos” desempregos, subsídios (e mais subsídios e mais subsídios e mais subsídios), greves, desvios, os velhos que são despejados nos lares e nas serras do interior e o que mais quiserem acrescentar a esta lista.
Na minha opinião, estes actos não passam de acções causados por uma escandalsa falta de valores. Se a crise veio acentuar? Talvez, mas pode não passar de um pretexto para se destaparem algumas evidências.
Já há vários anos debato que a raiz, para a possível resolução do problema, passa não por reformas (inúteis na grande parte das vezes), mas antes uma revolução no sistema de ensino. Passa por colocarem exigência (rigorosa) nos professores, por universalizarem o ensino e colocaram um travão na benevolência das passagens de ano e na treta das notas dos colégios privados. Avaliam os professores, “estiquem” os alunos, façam exames (dos bons) e deixem a “falsa” estatística de lado. Basta de novas oportunidades para onde as senhoras vão tricotar, vulgarizarem-se e pensar que estão de novo na adolescência! Basta que tenhamos de ir refazer o 12º ano para o ensino privado porque necessitamos de subir notas. Parece-me ridículo, ou então se tudo isto não resultar, não tem problema, vai-se para a faculdade privada (se os pais poderem pagar obviamente). Outra das situações que me cria uma certa confusão designa-se por cursos profissionais. Creio que o seu conceito primário é interessante , mas falta-lhe rigor para poder cumprir a sua missão, para deixar der ser considerado, de uma vez para sempre, como uma escapatória facilitada ao ensino regular. Mas também não há necessidade de concederem diplomas ao Domingo; trabalhar sim, mas não é necessário chegar a tanto!
Penso que no dia em que consigamos levar a bom porto esta revolução da mente, talvez tenhamos um parlamento mais decente, onde se faz mais que passear e exercitar as cordas vocais, um ensino onde as pessoas sentem prazer em aprender, um Centro de Desemprego eficiente e justo (sem malabarismos) e universidades que mais que lecionar alunos, formam Homens (dos bons), com qualidade e acima de tudo princípios.
Talvez um dia, num canteiro à beira mar plantado, chamado Portugal…
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Viagem Sem Retorno (Balanço)
"O tempo traz de tudo/ (ou quase tudo)/Tudo cria ou destrói/É esse o mal” é deste modo que em breves palavras que vos resumo o que tem sido a minha vida… Aliás, é o tempo, que vivemos inseparavelmente, que vem pousar nas feridas e dar ânimo à alma; é esse mesmo, o tempo, que nos leva para longe (por vezes de nós mesmos), nos torna distantes e saudosos de quem fomos outrora, de quem deixamos nas calçadas da vida; dos gestos às palavras, dos abraços às emoções, das conversas às lágrimas, mas com uma nostalgia conformista, saudável, que sou eu. Na verdade, tenho é saudade da minha infância, de quando as cores dos lápis de ceras eram puras e o meu traço era virgem. Julgo estar aí a dificuldade: no simples!
Oh(!) tempo antagónico, que trás de tudo, tem-me feito ver a vida como se ela fosse um prisma e eu a tivesse de observar pelos seus diversos ângulos. Essencialmente, penso que o sucesso da vida passa por isso, por sermos relativos e flexíveis, por sermos capazes de a alimentar e viver a nossa múltipla identidade. Aliás, não me quero definir, pois tudo aquilo que se define é limitado. Eu quero é viver o sol, e molhar-me na chuva, esperar a morte vivendo minuciosamente a vida, e aprender, em cada passo que dou, pois ela (a puta da vida) é feita de traços vermelhos que por vezes temos de ultrapassar, aí está a essência da vitória.
A Bíblia que mais preso é da vida pois ela é o meu Evangelho da Alma; diz-me o que eu tenho, ou devo, ou posso, ou sou obrigado, ou tento, ou não nada fazer: aprendo e excuto, como se fosse uma máquina, que na verdade sou, e gira em círculos profundos da ferrugem que, cravada na alma, a faz brotar como a flor que de manha saúda o dia (inspiração).
Apesar de ser um aventureiro questiono-me do que é a saudade (?). Só tem saudade aquele que viveu, portanto a saudade é prolongar e momento e desafiar o futuro. Não quero ser feliz nem lúcido, é feliz o doido que, no manicómio tem certezas (como Pessoa o afirmou, sendo que o seu maior medo era enlouquecer, isto é-me familiar, mas pronto). Eu, como não as tenho, às certezas e aliás duvido delas, sou infeliz com pitadas de felicidade. Pois ela (a puta da vida) não é para ser pensada, mas vivida, ou morta!
Despeço-me com a saudade da Inocência de quem vi ficar lá trás, no longínquo e que fez da saudade e das suas esperanças a sua (minha) impressão digital (identidade nula)!
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Natal dos "Corpos", Segundo Pessoa
Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
Fernando Pessoa
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
São Palavras (Mágicas)
Que palavras são essas que deleitas no mar? Que encanto é esse que ateias nas noites e fazes doces as estrelas e profundo o seu brilho? Que fulgor é esse que transportas nas tuas veias e me tenta? Que natureza é(s) essa que possuis e fazes deslizar as folhas das árvores e que estende os seus cabelos irradiantes na natureza, lisos e finos? Quem és tu tentação da noite que fazes da minha almofada o teu baú de memórias, e vasculhas, e vasculhas, e enfeitiças as ânsias. Afrodite, porque me seduzes?
Shiuuu!, há palavras que nos beijam e nos adulteram. São palavras é certo, mas são magicas!
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Águas Calma
"A vida é apenas isto: um encadeamento de acasos bons e maus, encadeamento sem lógica, nem razão; é preciso a gente olhá-la de frente com coragem e pensar, mas sem desfalecimentos, que a nossa hora há-de vir, que a gente há-de ter um dia em que há-de poder dormir, e não ouvir, não ver, não compreender nada."
Flobela Espanca
domingo, 13 de novembro de 2011
Amor Incondicional
"Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos e a outra metade a deixar os que amamos."
Victor Hugo
"Quanto mais conheço as pessoas mais gosto dos animais"
sábado, 12 de novembro de 2011
Prismas
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Circuito
Todos os que lêem esta mensagem existem. Todavia, se 10 pessoas a lerem, encontramos pessoas diferentes umas das outras. E se forem 100 pessoas serão 100 identidades diferentes, 100 modos de ver o mundo, 100 maneiras de interpretar o que aqui é dito.
Isto pode parecer ridículo, por parecer demasiado óbvio, mas julgo que não o é. Pretendo transmitir a necessidade de conhecer o outro, de nos exploramos e apreciarmos, em suma de ter conhecimento do ser mais complexo do mundo: o Homem!
Porque às vezes vemos mas não visualizamos, lemos e não interpretamos, pensamos e não somos racionais, respiramos sem viver, somos sem ser: superficiais!
Na verdade, somos personagens antagónicas e pautamos a vida pela necessidade de sermos e vivermos a nossa múltipla face, a nossa múltipla identidade.
Partamos à descoberta do outro? E mesmo daqueles que não gostamos, seremos capazes de o tomar como exemplo para aquilo que não queremos ser; o outro é o nosso espelho!
VIVAMOS!
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Ser Pessoa Nenhuma
Por momentos desejaria ser imóvel e intemporal, pois só assim não sentiria saudade de quem fui ou então esperança daquilo que talvez nunca serei...
domingo, 6 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
Não me Peçam Razões - José Saramago
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
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