domingo, 18 de março de 2012

Exterior / Interior

"Eu tenho um sonho que as minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver numa nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter."
 Martin Luther King


terça-feira, 6 de março de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Máquina do Tempo


É estranho pensar que amanhã, ao acordar, o mundo vai acordar estupidamente igual e que certamente o mesmo acontecerá em qualquer dia da minha existência, como sucedeu em 17 anos.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Frio da Alma

Sente-se o frio. De fora da janela sente-se o frio. As árvores estão despidas, as vinhas enrolam-se nos arames, aconchegas. As casas recatam-se em si mesmas e estão sós, dispersas na colina. Está frio e até o dia se sente ofegado pela noite, que cai ao delével sobre esta velha província. Está frio, e a lenha dá cor aos sonhos que se propagam ao longo das lareiras arcaicas, que tantas histórias recatam no seu tijolo burro.
As camas ressentem-se com o peso dos cobertores e as paredes vacilam e deixam transparecer aqui e ali o caruncho que perfuma fortemente as peculiares casas. Está frio, e os passeios tornam-se desertos de perda solitária. Está frio e sente-se no imaginário destas gentes a carga óssea desta vida madrasta. Está frio e os sorrisos debruçam-se sobre os cachecóis que rodeiam o pescoço. 
Está frio, é certo, mas um dia ainda vão escorrer sobre o meu rosto gélido, as lágrimas frias da saudade deste frio quarto que para sempre vai ficar nas entranhas do coração.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Longe Demais

Há momentos em que o tempo é mais veloz que a vida; é por isso que muitas vezes apenas a vemos passar e a deixamos ir.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Poeta das Horas Vagas

É quando desligo a luz e o meu olhar penetra na imensidão do escuro, que me reencontro realmente. É quando faço de imóvel o corpo e dou corda aos sonhos da alma. É quando me transcendo. É quando o ruído dá tréguas e voz ao silêncio. É quando o meu ser dactilografa as minhas formas e o meu coração se rasga em emoções. É quando sofro nas lágrimas afogadas. É quando o estremecer da coluna vertebral me invade. É quando posso conduzir o mundo pelos meus sentidos. É quando o respirar é emoções. É quando faço melodias com o soprar do corpo. É quando deixou ao abandono a inércia. É quando sinto nascer o insaciável dentro de mim.
É quando(?)… sofro, rio, choro, minto, vagueio, executo, sou! É quando, sobre a penumbra destas quatro paredes amareladas, o Poeta das Horas Vagas é feliz!


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Crise (de Valores)


Estamos em crise. Sim, é um facto! Todavia as crises económicas vêm, por norma, acompanhadas de crises socias, políticas e sobretudo de crises de valores (para não dizer que esta última é a causadora de todas as outras).
Vejamos. Roubos, fugas fiscais, “falsos” desempregos, subsídios (e mais subsídios e mais subsídios e mais subsídios), greves, desvios, os velhos que são despejados nos lares e nas serras do interior e o que mais quiserem acrescentar a esta lista.
Na minha opinião, estes actos não passam de acções causados por uma escandalsa falta de valores. Se a crise veio acentuar? Talvez, mas pode não passar de um pretexto para se destaparem algumas evidências.
Já há vários anos debato que a raiz, para a possível resolução do problema, passa não por reformas (inúteis na grande parte das vezes), mas antes uma revolução no sistema de ensino. Passa por colocarem exigência (rigorosa) nos professores, por universalizarem o ensino e colocaram um travão na benevolência das passagens de ano e na treta das notas dos colégios privados. Avaliam os professores, “estiquem” os alunos, façam exames (dos bons) e deixem a “falsa” estatística de lado. Basta de novas oportunidades para onde as senhoras vão tricotar, vulgarizarem-se e pensar que estão de novo na adolescência! Basta que tenhamos de ir refazer o 12º ano para o ensino privado porque necessitamos de subir notas. Parece-me ridículo, ou então se tudo isto não resultar, não tem problema, vai-se para a faculdade privada (se os pais poderem pagar obviamente). Outra das situações que me cria uma certa confusão designa-se por cursos profissionais. Creio que o seu conceito primário é interessante , mas falta-lhe rigor para poder cumprir a sua missão, para deixar der ser considerado, de uma vez para sempre, como uma escapatória facilitada ao ensino regular. Mas também não há necessidade de concederem diplomas ao Domingo; trabalhar sim, mas não é necessário chegar a tanto!
Penso que no dia em que consigamos levar a bom porto esta revolução da mente, talvez tenhamos um parlamento mais decente, onde se faz mais que passear e exercitar as cordas vocais, um ensino onde as pessoas sentem prazer em aprender, um Centro de Desemprego eficiente e justo (sem malabarismos) e universidades que mais que lecionar alunos, formam Homens (dos bons), com qualidade e acima de tudo princípios.
Talvez um dia, num canteiro à beira mar plantado, chamado Portugal…